terça-feira, abril 10, 2007

O fio de prumo

O meu pai um dia, a propósito de um comentário meu, virou-se para mim e disse-me que eu nunca deveria alugar o meu cérebro a ideias de outros nem fazer trespasse da minha dignidade por dinheiro algum. Na altura, era eu estudante universitário, ficaram-me retidas as metáforas. E, claro está o sentido da coisa. Hoje, eu próprio começo a ser questionado pelos meus filhos, estando na altura de lhes começar a transmitir valores à medida que a atenção deles se desloca, por vezes...., do gameboy para o que acontece na sociedade à volta deles. Claro que já se falou do diploma mais famoso deste país. E claro está que eu recomendo vivamente que se esforcem e dignifiquem a sua vida com a progressão das suas aprendizagens. Claro está que não me mostro excessivamente entusiasmado quando me dizem que foram os melhores da turma, e digo sempre que a mim e à mãe basta que se tenham esforçado honesta e diligentemente. Os resultados acontecem com naturalidade como resultado do esforço e da honestidade, que não é preciso ser sempre o melhor em tudo nem em nada. Claro está que mais cedo ou mais tarde me podem perguntar se no final isso é assim tão importante e mesmo necessário. Claro está que nessa altura se calhar me posso lembrar doutra vez em que o meu pai me disse que apesar de ser perfeitamente possível viver como uma puta (e ele sempre se referia àqueles e àquelas que vendiam outras coisas que não a carne...) mas que no fim da vida quando olhamos para trás poderemos sentir vergonha ou orgulho ou alívio ou satisfação. Tudo dependia do que queriamos sentir quando estivessemos na vêspera do fim. Pode ser divertido ser capa de revista cor de rosa ou mesmo cor de merda mas deve ser fodido passar a vida a esconder os fantasmas no armário.

1 comentário:

Moriae disse...

Palávras sábias do teu Pai e as Tuas. Relembro um post teu e outro meu. Algo que senti semelhante entre os dois. As palavras do meu Pai, ainda as tenho (dá-me tanto na cabecita, ainda hoje ;) mas com tanta sapiência ... e carinho. um grande homem). Ele sempre me disse que só realizando-me, e realmente sem necessidade de ser a melhor mas sendo o melhor de mim. Não interessa isso agora, apenas usufruo do teu texto e penso nos teus filhos, na minha sobrinha, em filhos de amigos i.e. pequenitos e jovens amigos a quem passamos "a ideia".
Fevereiro, foi o mês.
Abraço, Zé Manuel