terça-feira, fevereiro 19, 2013

Basicamente é isto ...

Levemente a propósito deste texto que é formidável. e destas bizarrias da moderna filologia... como "o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas"... que levaram à construção de um meta discurso milhares de vezes mais complexo (e verdadeiramente inútil)que o próprio discurso... Mas realmente no polo oposto ...porque no texto citado se revela a existência de uma exagerada complexificação redundante e pouco parcimoniosa do discurso, enquanto o que me preocupa é a simplificação imbecil das matérias e o processo de criação de idiotas incapazes de pensar... Quando eu estudei, mesmo ao nível da licenciatura, tive alguns belíssimos professores, um ou outro mesmo notáveis a fazerem recordar-me a minha professora primária. Era, então, o ensino baseado num "paradigma" diverso. O professor(a) punha na nossa frente a carne ou o peixe, os condimentos, os acompanhamentos, os instrumentos, o fogão, os recipientes, os panos e dava-nos, por vezes manuais de culinária e gastronomia com milhares de páginas prenhes de possibilidades imensas e incomensuráveis. Claro que havia professores capazes de fornecer um cherne ou um naco de suculenta carne e temperos exóticos e outros apenas capazes de fornecer uns carapaus e um pedaço de alcatra. Mas a confecção era por nossa conta e risco. A prática ajudava e no final comíamos o que tínhamos confeccionado com o nosso engenho e arte. A nota dependia do cheiro, do paladar, da vista, do sabor e do apetite. Hoje cada vez mais o papel do professor(a) é fornecer um micro ondas chinês, com um manual de culinária simplificado a vinte slides. E, uma embalagem de comida pré cozinhada que sabe a plástico e é igual da Guatemala ao Zimbabue da Suécia à Tailândia. O resultado final da confecção é irrelevante porque é pré-determinado. Avalia-se se o aluno sabe meter o pacote dentro do micro ondas se identifica o botão da potência e do tempo e se sabe manipular os ditos cujos. Tudo normalizado. Tudo fácil de verificar através de sábias políticas de "qualidade".